Mensagens

A mostrar mensagens de 2018

Papel digital

Imagem
Tanto os livros em papel como os eBooks têm os seus pontos fortes e as suas desvantagens e podem ser comparados em diversos aspetos. Vou tentar ser o mais objetiva possível. Pelo menos enquanto apresento as ideias em que me baseio para formar a minha opinião. Primeiro vou apresentar-vos os dois pontos de vista e depois conto-vos o que penso. Existem etapas que são comuns a ambos os formatos: tem de existir um manuscrito que terá de ser trabalho por um revisor e um editor e terá de existir a intervenção de um designer e de um paginador. Para o eBook estas são as únicas etapas necessárias. Para o livro em papel é preciso existir uma gráfica para o imprimir, um distribuidor para o levar às livrarias, uma livraria onde o vender, um armazém para se guardar as cópias, uma estante para os leitores, … Deste ponto de vista, os eBooks têm vantagem porque poupam tempo, trabalho e dinheiro, o que faz com o “produto” final seja mais barato para o consumidor. Facilitam também as edições ...

Se não fosse a faculdade...

Imagem
Este ano o curso de Tradução na faculdade onde tirei a minha licenciatura foi alterado e decidi analisar as diferenças. Ora, os maiores problemas de que os alunos do meu ano se queixavam eram as seguintes: Cadeiras demasiado teóricas; Cadeiras teóricas que não estavam relacionadas com tradução; Limitação na escolha de línguas. Quando soube que iriam alterar o programa fiquei entusiasmada! Pensei que finalmente iria haver um curso de tradução como deveria ter sido sempre. Como estava enganada… As poucas cadeiras práticas passaram a ser opcionais e só se pode escolher um número limitado das mesmas. “Apareceram” novas cadeiras obrigatórias que em nada têm a ver com tradução, como Dificuldades do Português, que estuda a diferença dos Acordos Ortográficos e que ensina o nome técnico que se usa quando uma pessoa se esquece de um acento numa palavra. Outra obrigatória é a Introdução à Terminologia… Para que serve? É um mistério. O que tem a ver com tradução? Um mistério ain...

Fahrenheit 451 e a censura

Imagem
O último livro que li foi o Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, um livro que leva a censura a um nível extremo e, aproveitando a comemoração do 25 de Abril, achei que era uma boa altura para partilhar umas ideias. Antigamente, e não há tanto tempo quanto isso, os autores tinham de ter atenção àquilo que escreviam e como o escreviam. A censura podia proibir os seus livros de serem vendidos ou publicados pelos motivos mais irrisórios. Na disciplina de História do Livro pude ver livros que foram censurados pelo Estado Novo simplesmente por passarem a ideia de que ninguém deve ser deixado para trás e de que juntos somos mais fortes. Claro que estas ideias não eram favoráveis à ditadura e portanto nunca poderiam ver a luz do dia. Apesar de ter sido uma época que os portugueses nunca vão esquecer, houve alturas em que a censura tomou proporções ainda mais preocupantes. No tempo em que a Igreja controlava não só a religião mas também a política, muitos foram os livros censurados e, alg...

The Perks of Being a Wallflower, Stephen Chbosky

Imagem
Autor : Stephen Chbosky Edição : Pocket Books (2012) Fim de leitura : 26 de novembro de 2017 Nota : ***** Resumo : Charlie acabou de entrar para uma escola nova, onde as pessoas que conhece são demasiado “fixes” para serem vistas com ele. Inteligente, tímido e que não sabe como agir em sociedade, Charlie limita-se a ver a vida dos seus novos amigos a desenrolar-se sem nunca se envolver demasiado e sem chamar a atenção para os seus próprios problemas. Experimentando pela primeira vez o mundo dos primeiros encontros, do sexo, de drogas, dos dramas familiares e de novas amizades, Charlie só se quer sentir infinito. Mas não se pode viver na sombra dos amigos para sempre e Charlie tem de descobrir como passar a ser a personagem principal da sua história. Review : Neste livro, a vida de Charlie é-nos dada a conhecer através de cartas que o mesmo escreve a um rapaz que viu uma vez a fazer uma boa ação. Sendo um rapaz novo, as cartas são escritas de forma muito simples e flu...

Livros - Porquê pagar mais?

Imagem
Já repararam naquelas livrarias pequenas e escondidas que existem pela cidade? E já repararam que muitas delas estão a ser obrigadas a fechar? Se não repararam, elas existem e estão realmente a fechar e eu quero que saibam o porquê. No semestre passado, como trabalho final de uma cadeira, entrevistei um senhor que tem uma livraria numa cidade alentejana, a única da cidade. Graças a esta entrevista, aprendi sobre um lado totalmente diferente e sombrio do mundo literário que desconhecia. O mundo editorial envolve política que tudo distorce e que obriga estas pequenas empresas a lutar pela sua sobrevivência. Para evitar a concorrência desleal, o Governo criou a Lei do Preço Fixo que diz que os livros têm de ser vendidos todos ao mesmo preço em todas as superfícies, mas não é bem isso que acontece. As grandes superfícies, como a Bertrand, a FNAC ou os supermercados, exigem descontos de 45 a 60% de desconto quando compram os livros às editoras e, assim, é fácil para eles fazer 10 o...

Ghostwriting – o que é?

Imagem
Para quem não está familiarizado com esta palavra, Ghostwriter é alguém que escreve textos, sem nunca ser reconhecido por tal atividade. Confusos? Passo a explicar… Muitas celebridades, querendo partilhar as suas experiências de vida, contratam pessoas para escreverem as suas biografias ou memórias. Muitos políticos, não tendo jeito para a escrita, contratam ou têm uma pessoa especializada em textos de motivação para escreverem os seus discursos. O ghostwriter ou escritor fantasma é a pessoa que escreve estes textos. Uma celebridade que queira publicar um livro e que não tenha queda para a escrita, pode contratar um escritor sem que o público e os leitores saibam quem este é ou que não foi a celebridade quem escreveu o seu livro. Isto pode soar estranho, mas acontece mais vezes do que as que pensamos. O “fantasma” é contratado como escritor freelancer e o seu nome não figura em nenhuma parte do texto ou livro. Apesar de esta prática ser mais comum em textos de não-ficção, com...

Notas de rodapé

Imagem
Na minha última aula de Técnicas de Edição discutimos sobre notas de rodapés e, apesar de também ter falado sobre elas durante a licenciatura, continua a ser um assunto um pouco controverso. As notas de rodapé podem ser úteis aos tradutores quando há termos ou expressões que não têm correspondente na língua de chegada e que são imprescindíveis para o sentido do texto. Estas notas são muito utilizadas em textos científicos e históricos, mas costumam ser mais contidas nos livros de ficção. No entanto, há umas semanas li um romance policial com tantas notas de rodapé que me fez questionar se realmente as notas me ajudaram na leitura ou não. No livro A Dália Negra (2006: Editorial Presença), de James Ellroy, todas as palavras foram vistas como potenciais candidatas a nota de rodapé. A história do livro segue dois polícias e retrata a sua vida na esquadra enquanto investigam um homicídio macabro. Muitos dos departamentos da polícia são mencionados em siglas e todas elas são “desve...

Traduzir títulos: manter ou ser criativo?

Imagem
Traduzir títulos nunca é fácil. Quer se trate do título de um filme ou de um livro, há sempre dois aspetos a ter em atenção: o significado e a publicidade. É importante escolher um título que transmita o significado do texto ou que, pelo menos, faça alguma alusão ao mesmo e por isso, muitas das vezes, o título original é traduzido à letra. No entanto, nem sempre isso acontece, quer seja porque a tradução literal não faz sentido na língua de chegada, ou por não ser apelativo o suficiente. Também se pode dar o caso de a editora não querer pagar direitos de autor pelo título original, mas isso já são outras questões… Os títulos podem ser sugeridos pelos tradutores, mas como têm de apelar às vendas, podem ser aceites, rejeitados ou sugeridos pelos próprios editores. E como nem todos os editores pensam da mesma maneira e a tradução é subjetiva, o mesmo livro pode ter títulos diferentes. Assim, vou mostrar alguns exemplos e, entre parêntesis, vou colocar o nome da editora para sabe...

Harry Potter e a Batalha das Línguas

A pedido de muitas famílias, vou falar das diferentes traduções do famoso Harry Potter. Sei que muitos de vós já estão familiarizados com algumas das diferenças da tradução para português de Portugal e para português do Brasil, mas há mais pormenores que merecem ser falados. Assim, vou listar as alterações mais "estranhas" entre o português de Portugal e do Brasil e ainda outras curiosidades. Português PT   –    Português BR Escola de Magia e Feitiçaria de Hogwarts  –  Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts Peter Pettigrew  –  Pedro Pettigrew James Potter  –  Tiago Potter Albus Dumbledore  –  Alvo Dumbledore Bellatrix Lestrange  –  Belatriz Lestrange Gryffindor  –  Grifinória Slytherin  –  Sonserina Hufflepuff  –  Lufa-Lufa Ravenclaw  –  Corvina Cepa-torta  –  Aborto (quando dois feiticeiros têm um filho não mágico) Sangue de Lama  –  Nascido-trouxa ...

Traduzir ou não traduzir, eis a questão...

Imagem
Hoje trago-vos uma questão que sempre me fez alguma comichão, mesmo antes de “pensar como uma tradutora”: traduzir nomes! Esta é uma das dificuldades mais discutida nas aulas de tradução e estende-se desde nomes de personagens, a nomes de cidades e países, a animais e por aí fora. Há várias maneiras de encarar este problema e, visto que não posso falar por todos, vou dar a minha opinião e, se alguém se sentir tentado, por favor, contradigam-me. Ora, existem nomes de países e de cidades que já possuem um correspondente oficial na nossa língua, como é o caso de New York -> Nova Iorque ou de London -> Londres. Aqui, está resolvido. Mas e o que fazemos com os nomes de cidades inventadas nos livros de fantasia? Um exemplo que me vem logo à cabeça são os livros de A Guerra dos Tronos , onde temos Winterfell, cujo nome original se manteve na tradução, e Casterly Rock, cujo nome foi traduzido para Rochedo Casterly. Claro que estes pormenores não alteram em nada a história, mas...

Já tenho a licenciatura, agora é que vai ser! (?)

Depois de muito pensar sobre o que haveria de escrever na minha primeira publicação, decidi escolher um tema que me fosse familiar. Sendo assim, vou falar sobre o que é ser uma aluna de tradução e o que é ser licenciada em Tradução à procura do primeiro trabalho na área. Eu tirei o curso na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e sempre me senti revoltada com o programa do mesmo. A maioria das cadeiras eram de cultura ou de literatura, sem qualquer tipo de utilidade para um tradutor, e as cadeiras práticas ou sequer relacionadas com tradução apenas existiam no 3º ano. Esperei 2 anos para poder traduzir coisas e não é que quando chego a uma cadeira de tradução técnica me deparo com as aulas mais inúteis que já tive? O professor não me ensinou nada e, para além disso, queria que fizéssemos os testes sem qualquer tipo de consulta. Agora, peço que se imaginem a tentar traduzir um contrato de arrendamento ou um acordo de divórcio sem qualquer tipo de ajuda. Mesmo sendo f...