Papel digital
Tanto os livros em papel como os eBooks têm os seus pontos fortes e as
suas desvantagens e podem ser comparados em diversos aspetos.
Vou tentar ser o mais objetiva
possível. Pelo menos enquanto apresento as ideias em que me baseio para formar
a minha opinião. Primeiro vou apresentar-vos os dois pontos de vista e depois
conto-vos o que penso.
Existem etapas que são comuns a ambos
os formatos: tem de existir um manuscrito que terá de ser trabalho por um
revisor e um editor e terá de existir a intervenção de um designer e de um
paginador. Para o eBook estas são as
únicas etapas necessárias. Para o livro em papel é preciso existir uma gráfica
para o imprimir, um distribuidor para o levar às livrarias, uma livraria onde o
vender, um armazém para se guardar as cópias, uma estante para os leitores, …
Deste ponto de vista, os eBooks têm vantagem porque poupam tempo,
trabalho e dinheiro, o que faz com o “produto” final seja mais barato para o
consumidor. Facilitam também as edições de autor, pois permitem um menor
esforço de distribuição e não requerem a parte da impressão.
Um dos argumentos mais usado nesta
discussão é a parte da poluição. É mais que sabido que para a produção de
livros é necessário cortar árvores e que a desflorestação é um problema real e
preocupante, no entanto, o eBook não
está isento das preocupações ambientais. Para se ler um eBook é necessário ter um eReader,
ou seja, uma plataforma onde se possa abrir o ficheiro de leitura. Estas
plataformas são computadores, tablets, kindles, smartphones, por aí fora. Ora,
estes eReaders também têm de ser
produzidos e enquanto um livro dura muitos anos, séculos até, estes aparelhos,
muito provavelmente, não duram uma vida inteira e requerem manutenção. O que se
poupa no produto final é gasto na compra de um aparelho que permita a leitura
do ficheiro, na sua manutenção e na eletricidade usada para o carregar. O que
levanta outra questão: a da comodidade.
Qual destes dois é mais cómodo?
Muitos podem afirmar que o eBook é
mais cómodo porque há eReaders que
são leves e são algo que as pessoas já costumam levar com elas,
independentemente de os usarem para ler ou não. No entanto, estes têm um “tempo
de vida” – a bateria. Só podemos ler um eBook
se tivermos bateria para tal. Por seu lado, o livro é também portátil e pode
ser lido a qualquer altura, durante tantas horas quanto o leitor quiser; pode
ser partilhado, podem escrever-se anotações e têm aquele cheiro característico
que a maioria dos amantes de livros refere. É preciso também ter em conta que
existem livros impressos que não existem em formato digital. Também se pode
argumentar que os eBooks são de mais
fácil acesso porque os podemos comprar e aceder ao texto imediatamente sem sair
de casa, mas já se podem comprar livros em papel em lojas online que nos são entregues em casa, em menos de 2 dias.
Esta lista de prós e contras poderia
continuar durante imensas linhas, principalmente pelos amantes de detalhes.
Contudo, penso que estas são as diferenças indispensáveis para se poder tomar
uma posição.
Apesar do que se diz, não acredito
que os livros em papel vão desaparecer. Reconheço, contudo, que vão ser
publicados muitos mais livros com versão em eBook
e, quem sabe, alguns deles até só nessa versão. Depois de ter os aspetos
mencionados em consideração, admito que o eBook
tem bastantes vantagens no armazenamento para o leitor, principalmente ao olhar
para as minhas estantes cheias de livros e pó, mas também para as editoras,
pois não imprimem livros “a mais” que não são vendidos e poupam na impressão e
distribuição. No entanto, os livros em papel garantem muitos mais postos de
trabalho, tanto em livrarias, como em editoras, distribuidoras, gráficas, … Mas
mais importante, pelo menos para mim, os livros em papel dão aquela sensação
física de se ter algo, algo que se cheira, que se sente, que se pode manusear,
guardar, partilhar, passar aos nossos descendentes.
Sei que esta opinião não é universal
e não é de todo “a certa”, até porque como amante de livros em papel não
consigo imaginar um futuro sem eles. Mas aceito que existam outros pontos de
vista e, muito sinceramente, desde que não deixem de existir livros e histórias
para contar, fico bem com qualquer uma das opções.

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