Ghostwriting – o que é?
Para quem não está familiarizado com
esta palavra, Ghostwriter é alguém
que escreve textos, sem nunca ser reconhecido por tal atividade. Confusos?
Passo a explicar…
Muitas
celebridades, querendo partilhar as suas experiências de vida, contratam
pessoas para escreverem as suas biografias ou memórias. Muitos políticos, não
tendo jeito para a escrita, contratam ou têm uma pessoa especializada em textos
de motivação para escreverem os seus discursos. O ghostwriter ou escritor fantasma é a pessoa que escreve estes
textos. Uma celebridade que queira publicar um livro e que não tenha queda para
a escrita, pode contratar um escritor sem que o público e os leitores saibam
quem este é ou que não foi a celebridade quem escreveu o seu livro.
Isto
pode soar estranho, mas acontece mais vezes do que as que pensamos. O “fantasma”
é contratado como escritor freelancer e o seu nome não figura em nenhuma parte
do texto ou livro. Apesar de esta prática ser mais comum em textos de não-ficção,
como é o caso das biografias, das notícias, dos discursos políticos, etc.,
também pode acontecer em livros de ficção. É importante salientar que ghostwriting é completamente diferente
de escrever um livro sob um pseudónimo. Este último é um nome criado pelo autor
para se distanciar da sua obra habitual, ou para simplesmente manter a sua
privacidade, mas é efetivamente o autor quem escreve o texto, sem ajuda de
terceiros. No caso de ghostwriting, o
nome do autor presente na capa, não é o verdadeiro autor do texto.
Na minha
opinião, esta prática é um pouco desleal e enganadora. O leitor pensa que está
a ler um texto do seu ídolo ou de um autor em especial e, depois, descobre-se
que essa pessoa nunca escreveu o seu próprio livro. O leitor é enganado ao
achar que está a ler um livro de alguém importante, quando, na verdade, foi um
escritor profissional, muitas das vezes desconhecido, que foi pago para
escrever esse livro. Mas não é só este aspeto que me faz comichão. O que me
deixa mais desconfortável é o facto de este escritor fantasma nunca vir a ser
reconhecido. A pessoa que perdeu horas da sua vida, dedicando-se a um projeto
que pode vir a render bastante dinheiro, nunca vai ver o seu nome associado ao
mesmo. Tudo bem que a pessoa só aceita se quiser e recebe um montante por este
trabalho, mas o reconhecimento nunca chega a acontecer, independentemente do
sucesso ou insucesso inerentes ao texto.
Decidi
falar-vos disto porque há pouco tempo andava a vaguear por páginas de empregos
na área da comunicação, quando uma proposta para ser escritora fantasma me
surgiu. Confesso que, ao início, como aspirante a escritora, ponderei a proposta
e analisei muito bem a situação, mas rapidamente cheguei à conclusão que, para
mim, não era suficiente. Sempre adorei ler e sempre imaginei como seria ter um
livro escrito por mim à venda nas livrarias… Contudo, este livro não seria meu,
apesar de ter sido escrito por mim. O meu nome não constaria na capa ou na
ficha técnica, não estaria associado de forma alguma ao projeto que eu teria
desenvolvido. Não quero com isto dizer que seja um trabalho menos digno, ou do
qual se deveria ter vergonha, apenas acho injusto para com a pessoa que o tem.
O
que é que vocês acham? Eram capazes de viver de ghostwriting?

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