Traduzir ou não traduzir, eis a questão...

Hoje trago-vos uma questão que sempre me fez alguma comichão, mesmo antes de “pensar como uma tradutora”: traduzir nomes!

Esta é uma das dificuldades mais discutida nas aulas de tradução e estende-se desde nomes de personagens, a nomes de cidades e países, a animais e por aí fora. Há várias maneiras de encarar este problema e, visto que não posso falar por todos, vou dar a minha opinião e, se alguém se sentir tentado, por favor, contradigam-me.

Ora, existem nomes de países e de cidades que já possuem um correspondente oficial na nossa língua, como é o caso de New York -> Nova Iorque ou de London -> Londres. Aqui, está resolvido. Mas e o que fazemos com os nomes de cidades inventadas nos livros de fantasia? Um exemplo que me vem logo à cabeça são os livros de A Guerra dos Tronos, onde temos Winterfell, cujo nome original se manteve na tradução, e Casterly Rock, cujo nome foi traduzido para Rochedo Casterly. Claro que estes pormenores não alteram em nada a história, mas porquê traduzir “Rock” se não se traduziu mais nada?

Estas traduções adequam-se quando o nome de uma personagem ou da cidade em questão têm alguma relevância para o desenvolver da história ou nos dá alguma pista sobre o que vai acontecer. Fora isso, a minha questão mantém-se: porquê? Para o leitor não sentir que está a ler uma tradução? Ele sabe que está e ler sobre o João ou sobre John é-lhe, muito provavelmente, indiferente e até poderia levantar a dúvida de “porque raios um nativo inglês do século passado se haveria de chamar João?”.

Pronto(s), admito que estas pequenas coisas me chateiam, mas o que me fez quase arrancar cabelos foi a situação que vou passar a explicar. Todos conhecem o clássico Anna Karenina, de Lev Tolstói, certo? Tendo sido publicado pela primeira vez em 1877, é de esperar que já tenha tido muitas edições e traduções diferentes. Mas a última edição que encontrei, fez-me olhar duas vezes para ter a certeza que não estava a ver mal. Não só a personagem principal deixou de ser Anna para ser Ana, como o próprio autor mudou de nome. O tão conhecido Lev Tolstói passou a ser “Leão” Tolstói. PORQUÊ? Adaptar para Português o nome de uma mulher russa, que vive na Rússia, cujo enredo criado à sua volta se passa na Rússia, não percebo mas posso aceitar. Agora, mudar o nome de um autor que publica desde há 2 séculos e que é conhecido pelo mundo fora, não percebo nem consigo aceitar. O autor não é uma personagem, é uma pessoa real, o nome dele não foi inventado. O que seria se agora começássemos a traduzir os nomes de todos os autores: Nicholas Sparks seria Nicolau Faíscas, Charles Dickens seria Carlos Dickens, George R.R. Martin seria Jorge R.R. Martins, … Quem sabe, talvez um dia o Fernando Pessoa seja traduzido para Fernando Person.


Comentários

  1. Antes de mais, muitos parabéns pela iniciativa, estou a gostar de ver. Mas acho que em vez de blog devias fazer igual mas no youtube em video :) É o Futuro menina!

    Agora comentando o teu artigo... tive o mesmo choque há uns tempos atrás. Não sei porque razão fui pesquisar umas coisas do Harry Potter e deparei-me com a versão brasileira. JESUS!!!! OMG!!! Ia tendo um ataque cardíaco!

    Eles traduzem o nome das equipas!!!! SOCORRO... Se achas mau Lev Tolstoi... prepara-te...

    Estás preparada? Aqui vai:

    Ravenclaw - Corvinal

    Gryffindor - Grifinória

    Hufflepuff - Lufa-Lufa ----- WHATTTTT!!!

    Slytherin - Sonserina


    Acho que não preciso de dizer mais nada... até doí o coração... estávamos pior no Brasil.

    Posto isto não sei quem é a alminha e a editora que permite a tradução do nome do autor... devia ser proibido.

    Beijinhos Grandes da tua prima Sara Matos :)


    PS: Onde é que estão os meus livros que te emprestei??? Toca a devolver

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    Respostas
    1. Eu fiz um trabalho na faculdade só sobre as traduções portuguesas (de Portugal e do Brasil) do Harry Potter e acredita que os nomes das equipas não é a pior parte! Mas eu vou escolher os mais "traumatizantes" e fazer um post sobre eles!

      Obrigada pelo feedback e quando vieres cá vê lá se me deixas entrevistar-te!!

      Beijinhos e fica atenta ao que aí vem :)

      PS: eu ia devolver os livros no Natal mas a minha irmã começou agora a lê-los!

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