Já tenho a licenciatura, agora é que vai ser! (?)

Depois de muito pensar sobre o que haveria de escrever na minha primeira publicação, decidi escolher um tema que me fosse familiar. Sendo assim, vou falar sobre o que é ser uma aluna de tradução e o que é ser licenciada em Tradução à procura do primeiro trabalho na área.

Eu tirei o curso na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) e sempre me senti revoltada com o programa do mesmo. A maioria das cadeiras eram de cultura ou de literatura, sem qualquer tipo de utilidade para um tradutor, e as cadeiras práticas ou sequer relacionadas com tradução apenas existiam no 3º ano. Esperei 2 anos para poder traduzir coisas e não é que quando chego a uma cadeira de tradução técnica me deparo com as aulas mais inúteis que já tive? O professor não me ensinou nada e, para além disso, queria que fizéssemos os testes sem qualquer tipo de consulta. Agora, peço que se imaginem a tentar traduzir um contrato de arrendamento ou um acordo de divórcio sem qualquer tipo de ajuda. Mesmo sendo fluente em Inglês, há sempre termos técnicos que escapam, certo?

No entanto, o mais caricato aconteceu há umas semanas numa entrevista de emprego. Portanto, candidatei-me ao cargo de tradutora freelancer, o que significa que ia poder traduzir a partir de casa, sem ter de comparecer num escritório e sem ninguém a ver como faço o meu trabalho. Ora, na entrevista, a rapariga pede-me que traduza 3 textos enormes, à mão e sem auxiliares, numa hora. Para além de ser impossível e de me trazer à memória aquelas aulas agradáveis, questionei-me sobre o motivo daquele triste espetáculo. Se o trabalho era de freelancer, porque não pedir um portefólio? Para quê pedir para traduzir à mão e sem auxiliares, se lhe ia entregar os textos por email se ficasse com o trabalho? Mas o pior não foi isto. O pior foi o montante ridículo que ela me ofereceu. Realmente, como é que uma pessoa licenciada em Tradução e com um estágio feito, a tirar um mestrado em Edição de Texto e com um pequeno curso de Revisão de Texto, podia pedir um valor justo pelo seu trabalho?

Peço desculpa pelo longo texto, mas não conseguia revoltar-me com menos palavras… Alguma história parecida? Alguém tão ou mais revoltado que eu? Contem-me as vossas histórias! 

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