Se não fosse a faculdade...


Este ano o curso de Tradução na faculdade onde tirei a minha licenciatura foi alterado e decidi analisar as diferenças.

Ora, os maiores problemas de que os alunos do meu ano se queixavam eram as seguintes:
  • Cadeiras demasiado teóricas;
  • Cadeiras teóricas que não estavam relacionadas com tradução;
  • Limitação na escolha de línguas.
Quando soube que iriam alterar o programa fiquei entusiasmada! Pensei que finalmente iria haver um curso de tradução como deveria ter sido sempre. Como estava enganada…

As poucas cadeiras práticas passaram a ser opcionais e só se pode escolher um número limitado das mesmas. “Apareceram” novas cadeiras obrigatórias que em nada têm a ver com tradução, como Dificuldades do Português, que estuda a diferença dos Acordos Ortográficos e que ensina o nome técnico que se usa quando uma pessoa se esquece de um acento numa palavra. Outra obrigatória é a Introdução à Terminologia… Para que serve? É um mistério. O que tem a ver com tradução? Um mistério ainda maior…

O mais preocupante é que para as cadeiras acima mencionadas poderem ser obrigatórias, as seguintes cadeiras passaram para segundo plano: Tradução para os Media, Noções Jurídico-Económicas para Tradutores, Noções Científicas para Tradutores, Prática da Tradução Literária, Prática da Tradução Técnica, …

É impressão minha, ou as cadeiras que deveriam ser obrigatórias são as opcionais e vice-versa? Porque é que um aspirante a tradutor tem de ter Dificuldades do Português e Terminologia mas tem de escolher entre praticar tradução literária ou técnica? E se o aluno ainda não souber que tipo de tradução prefere fazer porque nunca fez nenhuma? E se esse aluno tiver ido para a faculdade para aprender a traduzir e para descobrir qual é o tipo de tradução que mais gosta de fazer? Pois… Temos pena… Vai continuar sem saber e vai andar 3 anos a pagar propinas de um curso que não é o que ele queria e, com certeza e razão, revoltado com a vida e o estabelecimento de ensino.

Sei que andei 3 anos revoltada com o meu curso e sei que poderia ter muito mais experiência e conhecimentos do que os que tenho. Acabei a licenciatura com notas acima de 15 nas disciplinas de tradução, mas com notas abaixo de 13 nas disciplinas de história e de cultura. A minha média de um curso de Tradução foi prejudicada por disciplinas que deveriam ser exteriores ao mesmo. Se eu fosse boa a história, não estava em línguas. Mas o mais triste, é o facto de os alunos irem para a faculdade porque querem aprender e o próprio estabelecimento de ensino não os deixa. A faculdade preocupa-se mais em saber se os alunos vão às aulas do que com a educação dos alunos que pagam mais de mil euros por ano para aprender. Alguns alunos vão ficar um quarto ou um quinto ano presos na faculdade por cadeiras que nada têm a ver com o seu curso.

Mas se alguém perguntar, a culpa é da praxe…



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